sábado, 3 de janeiro de 2009

Olhando o passado!



Hoje revisando uns livros separei para reler A Metamorose de Franz kafka. Tenho a impressão que em breve acordarei um monstro, talvez não uma barata, pq barata significa imortalidade, resistência e disso eu não tenho nada. Já pensei que posso acordar transformada em cigarra, aquelas que infernizam a nossa vida, perto das matas aqui no Rio de Janeiro. Só quem mora perto dessas cantoras sabem o que é uma dôr de cabeça causada pelos alaridos das artistas. São grandes cascudas, seguido as encontro morrendo pelo chão, as pernas peludas esticadas, as asas abertas batendo descordenadas, os olhos vidrados não é um espetáculo agradável.
Me sinto pesada com dôres nas pernas, acho que engordei demais, e não tenho coragem de fazer um regime sério...sempre marco um dia para começar...depois eu penso:" muito sacrifício para quê?" não voltarei a ser jovem...já acostumei a usar aquelas roupas de meia idade...todas largas disformes...ou aquelas malhas que as velhotas usam apertadas nas canelas e com uma bata..parece um uniforme....outro dia estava olhando um documentário lá do outro lado do mundo na China, as mulheres de idade com as mesmas roupas...é universal.
Quando era jovem ,imaginava a minha velhice cheia de charme, uma vez, eu vi um filme que a mulher morava num lugar cheio de penhascos, perto do mar na Irlanda...sempre fiquei com aquelas imagens na cabeça..morar na Irlanda perto do mar...usar uns vestidos compridos de seda indiana, largos esvoaçantes, cabelo branco preso num coque, a fisionomia serena, suave sem rugas. Até fazia bastante careta, ginástica facial para não ficar com a face enrugada....tudo sonho de cabeça desocupada... a idade veio, as rugas de amargura também, marcam hoje meu rosto.