terça-feira, 24 de março de 2009

Passeio.



Ontem acordei cedo,o dia estava cinzento, o céu pesado de nuvens. Adoro dias assim, para passear. Resolvi ir a Copacabana e ao centro do Rio de Janeiro. Tomei um ônibus que vai pela orla marítima, é um passeio de uma hora e meia. Passei pela cidade da música, abandonada, já foram gastos 600 milhões e ainda está só o esqueleto em pé. Mas não vou estragar o meu passeio por causa de políticos desonestos.
O mar está com ondas fortes, algumas pessoas correndo na orla da Barra. Passamos pelo túnel do Joá, acima a pedra da gávea, encoberta de nuvens, parecem fios de seda rasgando as pedras impávidas, hora aparece os picos, horas se escondem. Na Estrada das Bandeiras uma sensação de liberdade...o mar batendo forte nos penhascos , aquela estrada presa ao muro de rochas, mais parece uma cestinha de vime pendurada, agarrada na parede. Passamos em Saõ Conrado, a cidade contruída na época da ditadura, com a favela da Rocinha caindo pelo morro em direção aos prédios luxuosos, são monumentos ao descaso dos que governaram em nome da honestidade e proteção a um povo que não sabia quem era mais perigoso, se os que lutavam por comida e emprego, ou pelos que defendiam a sua boa vida e mordomia, adquirida desde a chegada de D. João VI, ao Rio de Janeiro.
Passamos pelo túnel Zuzu Angel, tudo aqui lembra os anos de chumbo. Já na Gávea, o mar se abre com um sol escaldante. As pessoas caminhando na praia, correndo, jogando futebol. As jogadoras de volei, treinando na areia, aqui não passa um dia que vc não enxergue uma pessoa famosa. Desci em Copacabana, os turistas voltaram, os mendigos também, pelas ruas jogados ao chão, atrapalhando as calçadas. A maioria que vem ao Rio pensa que o carioca gosta dessa invasão, exatamente ao contrário! na época de férias o morador sai, vai para os lagos, para serra, pq não suporta a invasão da cidade. O que os turistas veem no Rio são os trabalhadores que moram nas favelas e precisam trabalhar em restaurantes, hotéis, na praia, nos quiosques.
Almocei, em Copacabana, tem um restaurante na Nª Sª de Copacabana, com uma comida bem gostosa, acho que o nome é Gourmet...segui em direção ao Centro do Rio, fui na Igreja Candelária, tirei umas fotos, no Paço Imperial....começou a chover....corri de volta para casa.

sábado, 3 de janeiro de 2009

Olhando o passado!



Hoje revisando uns livros separei para reler A Metamorose de Franz kafka. Tenho a impressão que em breve acordarei um monstro, talvez não uma barata, pq barata significa imortalidade, resistência e disso eu não tenho nada. Já pensei que posso acordar transformada em cigarra, aquelas que infernizam a nossa vida, perto das matas aqui no Rio de Janeiro. Só quem mora perto dessas cantoras sabem o que é uma dôr de cabeça causada pelos alaridos das artistas. São grandes cascudas, seguido as encontro morrendo pelo chão, as pernas peludas esticadas, as asas abertas batendo descordenadas, os olhos vidrados não é um espetáculo agradável.
Me sinto pesada com dôres nas pernas, acho que engordei demais, e não tenho coragem de fazer um regime sério...sempre marco um dia para começar...depois eu penso:" muito sacrifício para quê?" não voltarei a ser jovem...já acostumei a usar aquelas roupas de meia idade...todas largas disformes...ou aquelas malhas que as velhotas usam apertadas nas canelas e com uma bata..parece um uniforme....outro dia estava olhando um documentário lá do outro lado do mundo na China, as mulheres de idade com as mesmas roupas...é universal.
Quando era jovem ,imaginava a minha velhice cheia de charme, uma vez, eu vi um filme que a mulher morava num lugar cheio de penhascos, perto do mar na Irlanda...sempre fiquei com aquelas imagens na cabeça..morar na Irlanda perto do mar...usar uns vestidos compridos de seda indiana, largos esvoaçantes, cabelo branco preso num coque, a fisionomia serena, suave sem rugas. Até fazia bastante careta, ginástica facial para não ficar com a face enrugada....tudo sonho de cabeça desocupada... a idade veio, as rugas de amargura também, marcam hoje meu rosto.